quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Umbanda e sua identidade

Para se compreender melhor a Umbanda será preciso, em primeiro lugar, determinar a sua identidade. Não existe Umbanda branca, vermelha ou preta. Não existe Umbanda de mesa, africana ou ameríndia. Existe Umbanda apenas, distinta do kardecismo, das religiões africanas, indígenas ou cristãs. As possíveis denominações são conseqüência da diversidade de cultos segundo a religião de origem de cada um. Ela surge no início do século XX através das incorporações de determinados espíritos tanto nos centros kardecistas como nos centros de religião africana. Nos primeiros eram considerados de pouca evolução e nos segundos eram “eguns”, espíritos de mortos não bem-vindos. Estes espíritos, aos poucos, agruparam-se sob o nome Umbanda e passaram a atuar em centros próprios, sendo que o primeiro de que se tem notícia foi fundado por Zélio Fernandino de Morais, no Rio de Janeiro, em 1908, com a denominação de Tenda Nsa. Sra. da Piedade.

A Umbanda é uma religião que possui fundamentos e rituais próprios, apesar de, até hoje, ser muito confundida. A estruturação da Umbanda tem sido lenta e feita oralmente pelas próprias entidades ou psicografada por médiuns estudiosos, que fizeram interpretações variadas em livros editados sobre o assunto. É uma religião genuinamente brasileira, pois foi criada e amalgamada no Brasil. Importou conceitos de outras religiões, a fim de atender as necessidades do povo brasileiro. Do catolicismo absorveu os espíritos considerados santos pelos católicos, orações e o evangelho de Jesus; os índios e caboclos trouxeram o conhecimento e o uso das forças da natureza, suas matas, ervas e águas; Como os orientais, a Umbanda acredita na reencarnação, na lei do karma e nos passes magnéticos, que vieram através do kardecismo; da religião africana a Umbanda adotou a expressão orixás para designar as energias divinas irradiadoras que regem as Sete Vibrações Originais ou Linhas, além do conhecimento da manipulação de energias que usam para fazer o bem ou para combater o mal.

Via de regra, os espíritos apresentam-se como caboclos, pretos-velhos e crianças, mesmo aqueles que, em sua última encarnação não vieram como tal e independentemente do seu grau de evolução. Esta roupagem fluídica remete às qualidades de fortaleza, humildade e pureza, características estas trazidas pelos espíritos atuantes, não só através de palavras ou teorias, mas na forma direta e simples de se comunicar. Aqueles que incorporam e atuam nos templos umbandistas o fazem na condição de Guias e Protetores e nunca na condição de orixás. A Umbanda é monoteísta e este é um dos seus mais importantes fundamentos, porém entende que as expressões Olorum, Zambi, Tupã, Jeovah, Alá, Orixalá ou Deus tem a mesma representatividade. Seu objetivo maior é fazer o bem e combater o mal auxiliando o processo de evolução da humanidade, aproximando-se tanto quanto possível das camadas mais humildes e necessitadas. Seu lema é “daí de graça o que de graça recebeste”.

São inúteis as discussões sobre a validade das imagens cristãs, das denominações africanas, ou ainda do uso do evangelho kardecista. Em sua universalidade a Umbanda buscou utilizar o que melhor se adéqua àquilo que ela veio pregar entre os homens: o amor, a fé, a caridade. A Umbanda verdadeira respeita a forma de atuação de qualquer religião. Ela não veio para discriminar ou fazer julgamentos dizendo o que é certo ou errado. Por isto não aceita críticas por deixar de utilizar procedimentos próprios das religiões africanas ou de tomar como patronos espíritos que atuaram em uma determinada época, no catolicismo. A raiz africana é um dos seus pilares sim, porém não o único. Segundo Thasmahara “talvez o que tenha provocado confusão entre os seguidores da Umbanda e sua real identidade tenha sido o posicionamento inicial como culto Afro-brasileiro”.

Escrito e redigido por Vanya Caloy em -24 de fevereiro de 2010

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