Desobsessão
Grupo Espírita Dr. Bezerra de Menezes de
Guarulhos
Rua Castelo Branco, 200 - Vila Barros-Guarulhos SP
Departamento de Orientação Doutrinária
1 - Obsessão:
"É o
domínio que alguns espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é
praticado senão por espíritos inferiores que procuram dominar" (Livro dos
Médiuns, Cap. 23 item 237). "É a
ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta
caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis
sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades
mentais." ( O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. 25, item 81)
A
obsessão é e sempre foi um dos maiores problemas da humanidade. Difícil de ser
tratada por esbarrar na dureza do coração humano. Tratada pela medicina como
problema puramente físico, ainda não tem encontrado através dela, um meio de
alívio para milhares de seres que sofrem sua ação. É para a ciência, em muitos
casos, problema insolúvel, catalogado como resultado da hereditariedade, apesar
de a maioria dos casos contestarem esta afirmação. A par com
a medicina, a religião oficial vem dando a sua contribuição no âmbito do terror
quando diz, que quem sofre um mal deste tipo está endemoniado, tendo que ser exorcizado,
o que leva a maioria das pessoas a se afastarem delas por medo de ridículo ou
incompreensão, preferindo apesar dos pesares continuar sua peregrinação através
dos consultórios.
A
Doutrina Espírita, única a dar uma explicação racional sobre o problema, tem se
desdobrado através de trabalhadores incansáveis, no sentido de aliviar aqueles
que sofrem desse mal, de maneira tranquila e os trazendo de volta a uma vida
saudável. A
obsessão só pode ser racionalmente explicada sob o prisma da doutrina espírita.
É uma faceta do relacionamento humano, que continua a se fazer sentir entre os
seres, embora já tenham desencarnado alguns e outros continuarem encarnados.
Este
relacionamento se mantém devido às ligações boas ou más existentes entre as
partes envolvidas que prendem uns aos outros, até que a justiça e o aprendizado
inerente a este acontecimento esteja assimilado. Jesus,
como profundo conhecedor da psique humana e seus defeitos, deixou escrito o
ensinamento que se obedecido livraria o homem desse mal.
"Perdoa,
o teu inimigo enquanto estais em caminho com ele, para que ele não te leve a
juiz e não te condene, pois se isso vir a acontecer ficará preso até que pagues
o último cetil." (O Evangelho Segundo o Espiritismo). Nesta
parábola ele nos dá o antídoto. O Amor é o caminho. O perdão, a paciência,
tolerância, tudo o que leva as pessoas a um bom relacionamento. Não criando por
isso motivos de represálias de ninguém. Quando
criarmos barreiras em nós mesmos, tirando do nosso coração o orgulho, a
vaidade, o egoísmo, e vivenciarmos bem com todos em acordo com o evangelho, não
existirão mais esses relacionamentos negativos e sim somente os positivos, onde
todos serão amigos e ajudarão uns aos outros no caminho evolutivo.
2 - Classificação da Obsessão
Allan
Kardec, através dos seus estudos classificou a obsessão por seus estágios,
sendo que por isso mesmo, não tem um caráter definitivo, servindo apenas como
parâmetro para estudo, uma vez que a obsessão é muito variada em seus aspectos,
sendo difícil estabelecer onde uma fase começa e termina a outra.
- SIMPLES - É a influência sutil na
atitude do espírito, encarnado ou desencarnado.
- FASCINAÇÃO - É a ação direta de um
espírito sobre o pensamento de outro.
- SUBJUGAÇÃO - É a paralisação através
da ação mental, que um espírito determina sobre a vontade de outro.
- Encarnado para encarnado
- Desencarnado para
desencarnado
- Encarnado para desencarnado
- Desencarnado para encarnado
- Auto - Obsessão
O que
predispõe um espírito (encarnado ou desencarnado) à Obsessão são as
imperfeições morais. Na medida em que o espírito se aperfeiçoa moralmente, ele
não se predispõe à obsessão.
4 - Quando podemos reconhecer a Obsessão:
- Quando sentimos ideias
torturantes a se fixar.
- Quando sentimos forças
interferindo no processo mental.
- Quando se verifica a vontade
sendo dominada.
- Quando se experimenta
inquietação constante.
- Quando se sinta
desequilíbrio espiritual.
- Ideias profundamente
negativas
- Depressão / Desânimo
- Revolta
- Medo
- Irritação / Cólera
- Vícios / fumo / tóxicos /
álcool
- Desregramento sexual
- Maledicência
- Ciúme
- Avareza/Egoísmo
- Ociosidade
- Remorso
O que
rege o processo obsessivo é o atendimento à "lei de sintonia", que é
a predisposição de atração recíproca, através da emissão e recepção de ondas
mentais. A obsessão prolongada pode causar:
- Desordens patológicas
(doenças)
- Loucura
- Morte Física
O estudo
da obsessão tem levado à compreensão de que as criaturas encontram-se na grande
maioria envolvidas por conflitos do passado. São
enfermos que reclamam tratamento à luz do esclarecimento, pois somente através
do perdão das partes envolvidas, poderá desmanchar os liames doentios que os
prendem. É preciso notar que os laços são modificados, nunca rompidos. Onde há
ódio, passará a haver compreensão, entendimento, paciência. Em benefício desse
objetivo deixarão pelo menos, de prejudicarem um ao outro, ganhando com isso,
equilíbrio, que os conduzirão ao respeito e futuramente ao perdão total dos
compromissos. Fazendo-os continuarem ligados, mas agora unidos pelos ideais de
ajuda e quites com a justiça divina. O Obsessor que guarda hoje sentimento de
revolta e vingança é alguém carente de amor e compreensão.
8 - Desobsessão:
No
sentido amplo da palavra significa o ato de curar alguém da obsessão.A cura
espírita da obsessão baseia-se na conscientização do enfermo e do espírito
agressor, posto que o paciente é o
agente da própria cura. Para isso
a Doutrina propõe:
- O esclarecimento através do
estudo
- Renovação interior por intermédio da ação do pensamento e da vontade.
9 - Como evitá-la:
( Conheça
a ti mesmo)
Através
do exercício constante da análise de si mesmo, o ser humano passa a se
conhecer, colocando parâmetros entre o que pode e o que não pode realizar. Com
isso passa a perceber as induções mentais que não se coadunam com seu modo
natural de ser. Quando se conhece, se vigia, não aceitando ideias diferentes
das suas. Vivendo de acordo com o preceito de Jesus; "Orai e vigiai, para
não cairdes em tentação". Paulo de
Tarso diz: "Tudo me é possível, mas nem tudo me é permitido". Nos
alerta através dessas palavras que tudo podemos fazer com o nosso livre
arbítrio, mas nem tudo que fazemos se reverterá em nosso proveito espiritual. A sabedoria do espírito é saber discernir entre o que traz
felicidade momentânea ou a felicidade eterna. A opção da escolha é sua, não
podendo a ninguém imputar culpa posterior.
10 - A família perante o enfermo:
Há que se
destacar que no processo desobsessivo, a família assume papel preponderante,
podendo colaborar sobremaneira para que o tratamento da equipe de desobssessão
surta o efeito esperado. Ela, na
maioria das vezes é a mais afetada pelo problema, não sabendo como proceder com
o enfermo. Por esse
motivo são feitas as seguintes recomendações à família:
- Paciência com o enfermo;
- Ausência de curiosidade
sobre o obsessor;
- Não atribuir-lhe (ao
obsessor) os acontecimentos desastrosos que os visitem;
- Não ter repulsa aos
perseguidores;
- Não desejar que eles (os
perseguidores) sofram o reverso da medalha;
- Esperar, sem pressa;
- Confiar no tratamento dos
bons espíritos;
- Não buscar meios violentos
ou aparentemente rápidos para desalojar o obsessor;
- Orar sinceramente em favor do perseguidor.
11 - A desobsessão no centro espírita:
O Centro
Espírita é a peça fundamental para o tratamento da obsessão. Para isso deve
dispor de equipe experiente para proceder a recepção e o diálogo com os
obsessores. O seu
ambiente é impregnado de fluidos salutares que influi positivamente na reforma
moral tanto do desencarnado como do encarnado. Mantendo
reuniões evangélicas ou cursos doutrinários para onde devem ser encaminhados os
necessitados encarnados. Também trazidos pelo plano espiritual que assiste a
casa, os desencarnados envolvidos no processo receberão esclarecimentos. Assim
ambos terão bases sólidas para mudarem hábitos e atitudes, condicionando-se a
atitudes mentais mais saudáveis.
12 - A equipe
Deverá
ser constituída de pessoas totalmente empenhadas no trabalho, para isso
superando todos os obstáculos. Com bases doutrinárias sólidas, não se deixaram
abater por impedimentos nem da vida social, nem também ligado a querelas do
personalismo, nem tampouco os causados por influências espirituais no decorrer
do trabalho. O ideal é
que a equipe seja pequena, porque isso favorece a harmonia entre os seus
integrantes, mas esse fato não impede uma equipe grande, desde que se tenha um
clima de respeito e fraterno entre todos. A equipe
deverá ser constituída por:
- Dirigente
- Médiuns de Incorporação
- Doutrinadores
- Médiuns de Sustentação
Todo o
êxito da reunião dependerá da equipe, que se não encarar com seriedade o
trabalho, poderá sim atrair muitos problemas para si. Com claros prejuízos a
todos. Por isso
enumeramos alguns requisitos básicos para se fazer parte de uma dessas equipes:
- Interesse pelo estudo
- Disciplina
- Pontualidade
- Assiduidade
- Vivência com os postulados
Cristãos
- Fraternidade
- Amor pelo semelhante, etc.
13 - Escala Espírita:
A
classificação dos espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas
qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições das quais ainda não se
livraram. Esta classificação nada tem de absoluta. Neste parâmetro Kardec
classificou os espíritos em 3 (três) ordens.
a) PRIMEIRA ORDEM - ESPÍRITOS PUROS
Caracteres
Gerais - Predominância do espírito sobre a matéria; superioridade intelectual e
moral absoluta.
Classe
Única - Espíritos que percorreram todos os graus da escala e se despojaram de
todas as impurezas da matéria.
b) SEGUNDA ORDEM / ESPÍRITOS BONS
Caracteres
Gerais - Predominância do espírito sobre a matéria, desejo do bem.
Quatro
Classes:
- Espíritos Benévolos;
- Espíritos Sábios;
- Espíritos Prudentes;
- Espíritos Superiores
Caracteres
Gerais - Predominância da matéria sobre o espírito, propensão ao mal.
Cinco
Classes:
- Espíritos Impuros;
- Espíritos Levianos;
- Espíritos pseudo-sábios;
- Espíritos Neutros;
- Espíritos Batedores e
Perturbadores.
Bibliografia:
- Apostila de "Obsessão e
Desobssessão"- Milton Felipelli e Rubens P. Meira.
- Nos Bastidores da Obsessão -
Hermínio C. Miranda
- Diálogo com as Sombras -
Hermínio C. Miranda
- Ação e Reação - André Luiz
- Missionários da luz - André
Luiz
- Vampirismo - Herculano Pires
- O Evangelho Segundo o
Espiritismo - Allan Kardec
- O Livro dos Médiuns - Allan
Kardec
- O Livro dos Espíritos -
Allan Kardec
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