O
Dirigente no Trabalho Espírita
Que a paz de Oxalá
esteja com todos. Hoje posto um texto muito interessante, que qualquer médium
deveria ler:
É bastante comum no nosso movimento, encontrarmos à frente de algumas
instituições espíritas, dirigentes absolutamente despreparados para exercerem
tão sagrada função que requer antes de qualquer coisa preparo adequado que só
se obtém através de um estudo aprofundado da doutrina espírita, utilizando-se
da codificação elaborada por Allan Kardec através dos ensinamentos dos
Espíritos Superiores sob a orientação maior de Jesus. Não mais se justifica em
nossos dias, escolher para desempenhar tão sublime missão, alguém sem as
necessárias características para a função, simplesmente por ser nosso amigo
particular, nosso parente, por ser bonito ou bem sucedido na vida material, por
ser falante, por ter prestígio, etc. etc.
É necessário antes de qualquer indicação nossa, uma reflexão sobre os
efeitos que nossa escolha irresponsável poderá produzir de maléfico à causa
maior que professamos e à casa que frequentamos. Embora as atividades
executadas na seara espírita, sejam realizadas em sua grande maioria pelo
trabalho voluntário, onde todos indistintamente, sentem-se chamados a prestar
colaboração nos serviços de caridade, oferecidas pelas casas espíritas é
indispensável que o dirigente procure capacitar o trabalhador antes de
encaixá-lo num trabalho, procurando alertá-lo para as responsabilidades que
está assumindo, para que esse trabalhador não mais proceda como tantos outros,
que mais se assemelham a "turistas"; que agem sem regularidade ou
assiduidade, que aparecem para trabalhar quando querem como se estivessem
fazendo um favor ao vir dar uma "mãozinha" no dia em que acham
conveniente fazê-lo.
A Doutrina Espírita nos reformulou esses conceitos equivocados, quando
nos incita a uma participação responsável, a uma conduta operante e a uma
assiduidade que tornará a tarefa passível de ser realizada com êxito, e que
pede acima de tudo que sejamos participativos, executando com prazer as nossas
tarefas no auxílio ao necessitado de hoje. Ser espírita é também ter
responsabilidade, pessoal, familiar, social, ser honesto nos propósitos de
melhoria interior, procurando tirar proveito de mais esta oportunidade que a
misericórdia divina nos está concedendo, de estudar, trabalhar e assumir
tarefas, observando o fim útil de laborarmos com empenho no mundo material
visando o nosso retorno à pátria espiritual em melhores condições íntimas do
que quando aqui chegamos.
Outrora se acreditou que bastava a boa-vontade nos serviços a serem
realizados aos desvalidos da sorte, que se encontram em situação de penúria
moral ou física que tudo estaria resolvido. Embora seja a boa vontade, muitas
vezes a alavanca que nos impulsiona ao encontro do outro, representando a nossa
disposição em servir, para que a semeadura seja proveitosa e a colheita farta,
é preciso que o trabalho de esclarecimento seja sedimentado na qualificação e
conhecimento doutrinário. O trabalhador da Seara Espírita precisa entender que
sua participação nas atividades da Casa Espírita que freqüenta, não será uma
realização apenas em proveito do outro, mas e principalmente em seu próprio
benefício. É a grande oportunidade de começar o aprendizado de humildade,
doação, permuta de experiências, renúncia e qualificação mútua.
Os problemas que aparecem, os atritos que surgem dentro das tarefas que
participa, são os espinhos que ele deve aprender a transpor de maneira
inteligente. Preciso é que esteja sempre disposto a reciclar seus
conhecimentos, não se achando eternamente sabedor de tudo, entendendo que na
vida tudo progride e que o trabalhador de qualquer atividade espírita ou não
deve acompanhar a evolução da ciência em franco processo de desenvolvimento. Precisa,
também, entender que as atividades das quais toma parte, não são exclusividade
sua e que por isso mesmo deve compartilhar suas idéias, seus conhecimentos, com
seu semelhante, procurando uma convivência pacífica e harmoniosa com seus
irmãos de ideal, contribuindo desse modo para um melhor desenvolvimento do
trabalho, visando exclusivamente o êxito a que se destina, ou seja, o
atendimento ao carente daquela atividade seja ela qual for de cunho material ou
espiritual.
Sua participação equilibrada na convivência com os outros que têm o
mesmo objetivo, evitarão as lutas pelo poder dentro dessas atividades
fortalecendo o ambiente vibratório do grupo, oferecendo oportunidade, para que
todos participem de maneira proveitosa e responsável da estrutura
organizacional da Instituição que freqüenta, entendendo que também precisa ser
um afiado instrumento nas mãos dos abnegados trabalhadores da espiritualidade
superior, alistando-se definitivamente como mais um soldado ativo no batalhão
do exército do bem. Nesse aspecto, o estudo, a reflexão, a prece e o
comprometimento com a atividade do Cristo tornam-se indispensáveis, para que o
tarefeiro execute suas atividades desde as mais simples, até as mais
complicadas e específicas, com esmero, competência e alegria.
O dirigente da casa espírita é sempre visto como aquele que tem a
responsabilidade maior e que por isso tem que assumir todas as falhas e se
desdobrar para cobrir a irresponsabilidade dos outros dirigentes das tarefas da
instituição, pois é ele o dirigente maior da casa e tem o dever de estar atento
aos possíveis desajustes que venham a ocorrer em qualquer atividade ou tarefa
sejam no âmbito administrativo ou religioso. Deve proceder também no trabalho
de conscientização dos demais trabalhadores para com suas responsabilidades e
para isto tem ele que ter moral elevada, sedimentada no conhecimento da
doutrina, elevado padrão moral, conduta exemplar, presença constante nos
trabalhos desenvolvidos pela instituição, empenho na resolução dos problemas
que lhe são apresentados, tornando-se exemplo para os demais tarefeiros da casa
em que é o principal responsável, para não servir de chacota por não ter o
devido preparo que dele se exige.
O posto de dirigente, não pode ser ocupado por quem não tenha a
necessária estrutura que o cargo requisita, em termos de responsabilidade e
competência, já não podem ser tolerados os despreparos de dirigentes e
coordenadores que envergam sobre si a responsabilidade de presidir, conduzir,
decidir rumos e encontrarem soluções para os desafios da missão. Vivemos a
repetir que a Seara é grande e os trabalhadores são poucos, que diminuto número
de tarefeiros executam tarefas de muitos, só que a própria direção das casas
espíritas na sua grande maioria não se preocupa em treinar pessoas para enviar
aos departamentos que precisam não somente de tarefeiros, mais sim de trabalhadores
preparados, falamos até mesmo no preparo daqueles que exercem a direção das
tarefas e que se julgam donos absolutos das mesmas, abraçam tudo para si, sem
estender oportunidades a quem quer que seja, dificultando a ação dos demais,
não admitindo concorrentes, sem que o dirigente maior da casa, tome qualquer
providência para sanar esse inconveniente, que tanto prejuízo causa ao bom
desenvolvimento dos trabalhos.
E porque isso ainda
acontece em nosso movimento Espírita? Exatamente pela falta de dirigentes
qualificados, que por não possuírem acurado conhecimento da doutrina, não são
capazes de dividir adequadamente as tarefas de acordo com a aptidão demonstrada
por cada indivíduo para esse mister; por não investi-lo de responsabilidade em
tudo que for fazer para que se empenhe na realização das tarefas com amor e
alegria; por não alertarem ao indivíduo que a tarefa não é exclusividade de ninguém;
por não prepararem com carinho e atenção os futuros dirigentes da casa das
quais são hoje os maiores responsáveis; por não entenderem que ninguém é eterno
e que serão responsabilizados na espiritualidade pelos futuros fracassos das
casas que dirigem, em virtude de sua negligência no preparo de seus sucessores;
em fim, por não serem portadores da devida competência para tomarem todas as
necessárias precauções na busca de uma salutar convivência de todos os
tarefeiros visando o crescimento e o sucesso das atividades, construindo dessa
forma um futuro seguro e promissor para a instituição.
Por isso, meus
queridos irmãos e amigos, na escolha dos nossos dirigentes é preciso que
tenhamos o devido cuidado de escolher com responsabilidade os companheiros de
lide espírita para o exercício de comando das nossas instituições espíritas,
para que não nos tornemos indiretamente responsáveis pelo mau desempenho das
atividades em nossas casas religiosas, e também não venhamos a nos arrepender
tardiamente, de uma escolha impensada irrefletida, irresponsável, pois a tarefa
espírita cristã não comporta improvisos. O dirigente limitado, despreparado,
será o primeiro entrave de que a instituição terá que se livrar. O crescimento
do espiritismo no mundo, está na dependência do que fizermos com ele, se o
utilizarmos adequadamente, como nos ensinaram os imortais da vida maior, por
certo mais cedo estaremos recebendo os benefícios de sua implantação no coração
do nosso semelhante, ajudando desta maneira na transformação moral do nosso
planeta para que ele possa galgar o próximo degrau na escada do progresso
alcançando o patamar de planeta de regeneração, a que todos nós tanto
almejamos.
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