sexta-feira, 13 de setembro de 2013

HIERARQUIA NA UMBANDA


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HIERARQUIA NA UMBANDA
A Umbanda apresenta facetas interessantes e que fogem ao tradicionalismo das religiões. Embora não exista nenhuma regra escrita que lhe dê o poder, o Chefe Espiritual, Cacique ou pai/mãe-de-santo é quem dirige um terreiro, centro ou grupo de Umbanda e sua palavra tem a força da decisão. O fato peculiar é que ele não é nomeado e muito menos eleito: ele tem seguidores que acreditam e aceitam o que ele prega. Queiram ou não, ele é o chefe da comunidade que se abriga sob seu teto e o seu Orixá será sempre o chefe espiritual. O Orixá cósmico do dirigente marca a linha de trabalho do terreiro e a entidade dessa linha que incorpora nele, sempre será o chefe espiritual do terreiro que ditará todas as normas e regras para o seu funcionamento.

Vale dizer que igualmente inquestionáveis são as suas decisões, por se entender que eles interpretam a vontade dos espíritos responsáveis pelo terreiro. O cuidado com um templo umbandista é muito complexo por haver a necessidade de uma permanente assistência aos pontos de segurança firmados pelo seu responsável e a própria dinâmica da gira ou sessão que está sempre em permanente ebulição e por isso fica sob austera vigilância. Para isso existe toda uma hierarquia dentro de um terreiro, começando pelo  cacique auxiliar, que é o substituto do cacique, além de ter a obrigação de fazer com que os trabalhos sejam rigorosamente dentro da linha pré-estabelecida pelo dirigente principal.

Depois deles surgem os  cambones, que são os que auxiliam os trabalhos e cuidam das coisas do terreiro, mas jamais podem substituir as tarefas dos dirigentes maiores, a não ser que lhe seja especificamente autorizado para tal.. Entre essa hierarquia não pode haver discordância de filosofia. A fidelidade entre eles tem que ser absolutamente homogênea. Temos que entender ser impossível a unanimidade no conceito e no entendimento da religião, e ela pode ser discutida e modificada, principalmente na Umbanda que ainda não está bem definida em suas regras, mas sempre em nível interno da hierarquia.

Discordâncias e não aceitação do mando levam os membros a uma ruptura da hierarquia capaz de fazer o papel do palanque de uma cerca. Na Umbanda, mandar e ser mandado não podem ser confundidos com prepotência e submissão. Aprendi com uma entidade que quem não sabe obedecer jamais vai poder mandar. Já me perguntaram se eu gosto de ser pai-de-santo. Refleti bem antes de responder afirmativamente. Se sou um é porque gosto. Na verdade não sei por quê, talvez porque já tenha aceitado a ordem de cima muito antes de entrar nesta vida. Na minha reflexão descobri que antes eu tinha compromisso só com as entidades que eu trabalho, hoje tenho com todas as pessoas e entidades que trabalham no terreiro. E as pessoas às vezes não entendem que eu sou igual a qualquer um, com todas as emoções, acertos e erros de um médium, e o que me difere é que sou talvez mais experiente e obrigado a cumprir o compromisso que assumi perante os espíritos que me cuidam.

Todo Cacique ou Pai/Mãe de Santo ou Chefe Espiritual, entre o dever de cumprir as suas obrigações e magoar um membro de sua corrente, fica sem opção: o compromisso com a espiritualidade tem que prevalecer. Tenho acertado comigo mesmo: quando eu sentir que estiver, por um motivo qualquer, atrapalhando o terreiro, entregarei minha guia ao meu sucessor.)

1) A Umbanda não tem um órgão centralizador. Alguém se torna pai-de-santo quando recebe suas obrigações de outro pai-de-santo e funda um grupo, terreiro ou tenda a pedido do seu Guia Chefe. Com sua personalidade, modo de ser, idéias sobre a religião e filosofias, é seguido por outros que acreditam no que  ele diz e faz e se subordinam, espontaneamente, ao seu mando. São opções livres e da vontade de cada um aceitá-lo como Chefe Espiritual.

2) O Chefe Espiritual,  pai-de-santo, também chamado zelador, dirigente ou diretor, cacique cria a linha de seu trabalho de acordo com seu Orixá cósmico.

3)A rudeza das minhas palavras não deve ser considerada como desrespeito aos meus companheiros, mas entendida como fidelidade à boa organização de um terreiro: a mãe ou pai-de-santo ou cacique ditam as normas, os demais as acatam, obedecem e as fazem cumprir.

Pai  Fernando – Tenda Espírita de Umbanda Pai Maneco – PR.

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