Todo médium é anímico?
Luiz Gonzaga Pinheiro
"Como distinguir se o Espírito que
responde é o do médium ou se é outro Espírito?
- Pela natureza das comunicações. Estuda as circunstâncias e a linguagem e distinguirás. "
O Livro dos Médiuns – Allan Kardec (Cap. XIX, questão 223. § 3)
- Pela natureza das comunicações. Estuda as circunstâncias e a linguagem e distinguirás. "
O Livro dos Médiuns – Allan Kardec (Cap. XIX, questão 223. § 3)
Em se definindo animismo como a
narrativa de fatos atuais ou passados que repontam do inconsciente do médium
para o consciente, podemos dizer que, a princípio, quando não educados, os
candidatos ao exercício da mediunidade são anímicos, em sua grande maioria.
Como somos Espíritos imortais em longa
excursão pelos cenários terrestres, alternando a vestimenta carnal entre o
feminino e o masculino, assimilando diversos hábitos regionais e lingüísticos,
vivendo tempos de paz c de discórdia, é natural que muitos eventos nos marquem
emocionalmente, registrando-se de maneira férrea nos arquivos do inconsciente.
Sob a influência de um indutor, um estímulo que se assemelha ao que foi
gravado, gera-se uma ponte inconsciente/consciente, podendo, através dessa
evocação, ser externado com aparência de realidade atual, aquilo que foi vivido,
mas não esquecido ou superado.
Conheci um médium que, havendo
praticado o suicídio por duas encarnações seguidas, passou anos na mesa
mediúnica a transmitir psicofonicamente as comunicações de dezenas de suicidas.
–Apenas animismo- diziam-nos em segredo os mentores espirituais. O companheiro
praticava a catarse dos longos sofrimentos que lhe cristalizaram na mente os
esgares, a sufocação, o fogo na pele, a dor superlativa dos dois gêneros de
suicídios pelos quais passara. A doutrinação era exercida como se realmente ali
estivéssemos em cantata com um comunicante desencarnado trazido para o
atendimento fraterno. No entanto, sabíamos estar falando diretamente ao Espírito
do médium, que, portando cristalizações de difícil neutralização, sofria,
através das reminiscências afloradas, o drama a que estava vinculado.
Esse período de animismo varia de
aprendiz para aprendiz, conforme sejam as marcas emocionais que transporta. O
gênero não influi muito. Um estigma é sempre um estigma. Doloroso ou terno,
depende do indutor que o faça aflorar, sendo justo que os sofrimentos, pela
ulceração que imprimem na alma, sejam evocados com freqüência, pelo caráter
peculiar do mundo de provas e expiações em que vivemos, onde a dor é o
inquilino pontual e assíduo na convivência com os terrícolas. Acontecimentos
ditosos, mas que deixaram saudade, nostalgia, ansiedade, misto de ternura e
tristeza, também são arrancados do inconsciente pela idéia indutora que
estabeleça uma sintonia com o que foi vivenciado. Até mesmo uma emoção mais
forte cultivada na atual encarnação, tal como a admiração profunda por santos e
heróis a traduzir-se em fanatismo, pode gerar idéias obsedantes ou
cristalizações duradouras, que, nesta ou em outras encarnações, retornam à cena
via catarse, para que o médium possa produzir favoravelmente, desobstruindo o
canal mediúnico para mensagens dos Espíritos e não de suas mensagens próprias
ou espirituais ainda mescladas de personalismo.
Saliente-se que, se o médium, ao
receber a mensagem do comunicante, a traduz em linguajar mais culto ou menos
intelectual, sem prejuízo da sua essência, não é anímico.Há de se analisar o
nível cultural, o estudo, a fluência, o grau de evolução enfim, de cada
indivíduo, encarnado ou desencarnado.
Concluímos afirmando que nem todos os
médiuns são anímicos. Alguns o são por idéias e emoções cristalizadas no
passado, enquanto outros o serão por idéias e emoções cristalizadas no
presente.Será assim, enquanto o amor não constar como regra de convivência e
remédio salutar para os dramas do mundo.
Retirado de "Mediunidade. Tire
suas dúvidas" – Editora EME
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